Ah o poliamor, o amor! Tema de tantos poemas e tragédias. É impossível não dizer que ele tenha sobrevivido às mais diversas civilizações e transformações sociais sem, também, transformar-se. Do amor romântico da Idade Média ao mais patriarcal e castrador, como o vivido na Era Vitoriana, o amor só continuou tendo o mesmo nome, mas a forma de vivê-lo se reconfigurou.

As revoluções sexuais, feministas e LGBTQI+ trouxe a voga as mais plurais formas de viver o amor, ou mesmo a sexualidade. A monogamia — ou seja, o relacionamento único e exclusivamente com um único (a) parceiro (a) — foi questionada e, junto com isso, surgiram novas configurações afetivas.

O poliamor é uma dessas formas de viver o relacionamento amoroso e sexual. Ele não é o mesmo que a troca de casais ou o relacionamento livre. Cada um desses modelos tem suas “regras” e características. Continue a leitura e entenda o que faz parte desse movimento chamado poliamor!

O que é poliamor

Cunhada no início da década de 1990, a expressão “poliamor” quer dizer múltiplos amores. Ou seja, é uma maneira consensual e responsável de viver a não-monogamia. Ou seja, a possibilidade de viver relacionamentos sem exclusividade de parceiros ou parceiras.

Diferença entre o relacionamento aberto e poliamor

Muita gente ainda confunde as duas coisas, mas na verdade, tratam-se de modelos amorosos muito diversos entre si.

O relacionamento aberto abre a possibilidade de o casal viver outros relacionamentos afetivos e sexuais, individualmente, com outras pessoas. Ou seja, não há exclusividade de nenhuma parte. O casal que se propõe a viver esse tipo de relação sabe que o parceiro ou parceira tem outros parceiros que, por sua vez, não tem contato com a estrutura do casal.

Já no poliamor, o laço é diferente. As relações podem ser mais íntimas entre o casal e os outros parceiros que fazem parte do contexto. Ou seja, o casal pode incluir uma ou mais pessoas em seu relacionamento e ambos se relacionarem afetiva e sexualmente com elas. No poliamor são vivenciadas múltiplas relações em um mesmo núcleo.

Há casos em que os relacionamentos entre os poliamoristas têm, inclusive, fidelidade. Ou seja, são grupos fechados. Embora o relacionamento seja livre entre eles (dentro do próprio grupo), existe uma fidelidade entre eles, não sendo permitido relações fora deste círculo.

Tá difícil de entender? Então vamos resumir!

O poliamor é um relacionamento não-monogâmico, em que é permitido o envolvimento de mais de duas pessoas num contexto afetivo-sexual, porém, diferente do relacionamento em que cada membro do relacionamento pode ter parceiros sexuais individualmente, no poliamor eles compartilham a estrutura do relacionamento com os demais parceiros.

O que tem de bom nesse modelo

Talvez a principal vantagem de viver um relacionamento nesse modelo é a inexistência da possessão. Quem adentra no poliamor tem certeza de que não pertence a ninguém e ninguém a pertence. Isso traz para o relacionamento uma liberdade difícil de encontrar em outras formas de relacionamentos afetivo-sexual.

Essa liberdade traz outras, como o sexo e o desejo sem culpa. Quantas vezes você desejou estar com outra pessoa, mas se sentiu mal por estar em um relacionamento? Pois é, o tesão não é nada monogâmico, minha gente. O desejo é como uma chama que não escolhe para quem irá acender.

Viver a sexualidade sem culpa é libertador e faz com que todos se sintam mais satisfeitos e com mais autoestima.

Sem culpa, sem cobranças, sem mentiras e sem ciúmes. É isso mesmo, sem ciúmes? Então vamos falar das dificuldades…

As dificuldades de viver o poliamor

Podemos ver e vivenciar o amor de várias formas, entretanto é quase certo que fomos criados por famílias tradicionais, pautadas nos valores do patriarcado que vê a mulher e o sexo de maneira muito limitada. Além de valorizar questões como fidelidade e possessão.

Sendo assim, é normal que livrar-se da ideia “de pertencer” dentro do relacionamento seja um pouco complicado, ou melhor, que vai requerer um pouco de trabalho interno.

O segredo, aqui, está em renunciar a dependência do outro e trabalhar a própria autoestima. Com isso, o casal entra num estado de empatia refinada, ou seja, quando é capaz de sentir alegria ao ver a pessoa amada vivendo momentos de felicidade, mesmo que não seja com você especificamente.

No poliamor, o motivo de o casal (de quantas pessoas forem) permanecer junto é apenas um: vontade afetiva e/ou sexual de assim estar. Nesse arranjo não há espaço para mentiras e enganos. Tudo é feito com sinceridade e, pasmem aqueles que pensam que trata-se de relações de promiscuidade, respeito aos que estão envolvidos.

Muito mais que somente ciúmes

Os relacionamentos poliamorosos ainda não encontraram respeito e espaço nas diversas esferas da sociedade, seja familiar, religiosa ou mesmo de trabalho. O estigma de imoralidade e patologia ainda cerca as pessoas que decidem viver esse novo modelo de amor.

Para as mulheres é ainda pior, pois essa relação coloca nelas um rótulo de irresponsabilidade sexual que as prejudica em vários aspectos, como no direito à custódia dos filhos, por exemplo.

Na família e relações de amizade, não é incomum que, ao assumir relacionamentos poliamorosos, as pessoas se afastem por sentirem-se ameaçadas por essa nova constituição. A falta de conhecimento e a insegurança de seus próprios relacionamentos, leva à conclusão de que as pessoas que optam por viver relacionamentos de poliamor possam influenciar suas famílias a fazer o mesmo.

O caminho da aceitação da diversidade, seja ela de orientação sexual, de gênero e mesmo de vivência amorosa ainda é longo. Ainda estamos no início dessa jornada. O importante é entender que toda forma de amor vale a pena, independente da constituição escolhida.

A liberdade é um direito de todo ser humano e lutar por esse direito é fundamental. É preciso dar voz e criar espaços seguros para falarmos da sexualidade sem culpa, sem trauma, sem a castração que ainda encontramos na sociedade moderna. É só amor e vale a pena ser vivido!

E você, qual sua opinião sobre o poliamor? Já viveu alguma experiência desse tipo? Teve problemas ou outras características que não abordamos aqui? Deixe seu comentário, adoraríamos ouvir vocês!

Sobre o Autor

Waleviska é empreendedora e proprietária da empresa DSS Distribuidora Sex Shop. Além disso, acredita que quanto mais se fala sobre sexo, mais tabus e dúvidas vão sendo desconstruídos. Pretende ter uma ligação direta com todas as leitoras que queiram entender mais sobre o mundo do prazer.

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